Tablet busca lugar no mercado

4 maio

Tablet busca lugar no mercado

Apesar da chegada de novas marcas, mercado brasileiro deve ser responsável por apenas 0,4% das vendas do produto em 2011

O relacionamento é recente, mas já assume ares de uma paixão que vai perdurar por um bom tempo. Sócio da Cervejaria Way Beer, de Pinhais, Alejandro Winocur adquiriu há apenas três semanas seu primeiro tablet, um iPad, da Apple, marca pioneira no setor. O empresário, de 27 anos, pode se considerar um privilegiado: ele é um dos 300 mil consumidores brasileiros que devem adquirir um tablet neste ano.
Em 2011, o Brasil deve representar apenas 0,4% das vendas de aparelhos em todo o mundo, que chegarão a 70 milhões. Apesar de ainda ser desconhecido do grande público, tanto pela chegada recente no país quanto pelo custo, o tablet tem potencial para cair no gosto popular e dividir espaço em casa com computadores, notebooks e smartphones.
Na contramão dos consumidores que ainda veem o tablet essencialmente como instrumento de lazer e acesso à internet, Winocur adotou o iPad como principal ferramenta de trabalho. No escritório, o empresário não se separa do aparelho. “Uso ele com Word, Excel, verifico e-mails, subo arquivos em servidores virtuais, apresento material de marketing, faço apresentações pra clientes e anotações em reuniões. Tudo isso, com o iPad. Praticamente aposentei o desktop que eu tenho”, relata.
O escritor e empresário curitibano Flávio St Jayme, que resolveu se presentear com um tablet ano passado, pouco antes do Natal, engrossa o coro pela defesa das fun­­cionalidades do aparelho. “Não substitui um computador de verdade, mas quebra um galho pa­­ra funções mais básicas. A principal dificuldade é com a digitação, que não é confortável, mas depois você se acostuma”, diz Flávio.
Especialistas ainda divergem sobre o espaço a ser ocupado pelos tablets. Para o coordenador do curso de Sistemas de Informação da Universidade Positivo e consultor da área de tablets Leandro Hen­rique de Souza, os tablets podem vir a substituir aparelhos semelhantes, como os netbooks.
“Se a vinda de novos tablets e a produção do iPad no Brasil se concretizarem, ocasionando a baixa no preço, acredito que esses aparelhos serão substitutos naturais dos netbooks, principalmente pelos usuários que focam no acesso à internet e redes sociais. Para em­­presas e profissionais, será uma ferramenta a mais”, prevê.
Concorrência
Já o diretor de pesquisas da IT Data, empresa de consultoria na área de tecnologia, Ivair Rodrigues, afirma que os tablets não irão ameaçar a venda de outros aparelhos domésticos no país. Afinal, os próprios tablets possuem um longo caminho a percorrer: no ano passado, 6,5 milhões de notebooks e netbooks foram comercializados no Brasil, segundo a empresa de pesquisas de mercado IDC. Número muito superior aos 100 mil tablets adquiridos no mesmo período.
“Ainda estamos numa fase inicial desse produto (o tablet). Não vai matar o computador porque são aparelhos com características diferentes. Terá o seu espaço, mas será apenas mais um produto, um dispositivo adicional. E, hoje, o tablet ainda atinge um público pequeno, essencialmente de classe A, porque o preço é para poucos”, de­­fende Rodrigues.
Isenção de impostos pode baratear produto
Uma das alternativas do governo para popularizar os tablets é a isenção tributária. Hoje, os aparelhos são equivalentes a palmtops e sofrem com uma carga de impostos bem mais alta do que desktops e notebooks, por exemplo. Um iPad mais simples custa em torno de R$ 1,4 mil e mais da metade desse valor corresponde a tributos.
O governo está preparando uma emenda à Medida Provisória 517 que prevê o enquadramento de tablets na Lei do Bem – legislação que isenta computadores de até R$ 4 mil de PIS e Cofins, reduzindo a zero o IPI. Em outra frente, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) lançou uma consulta pública para estabelecer o Processo Produtivo Básico (PPB) dos tablets.
O PPB é um conjunto de normas para a fabricação de diferentes mercadorias e que define o nível mínimo de nacionalização do produto para que ele possa ter acesso a benefícios fiscais. Por meio da consulta pública, empresas interessadas na industrialização dos tablets puderam enviar sugestões, que servirão de base para a elaboração do processo produtivo do aparelho. A consulta encerrou sexta-feira. Um documento final deve ser aprovado pelo MDIC e pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).
Redução
Ainda não há prazo, porém, para a definição do PPB. Em relação à mudança na classificação, a expectativa do governo é levar a emenda para votação na Câmara ainda neste mês, após a Páscoa. Apesar da base governista acreditar que contará com o apoio da oposição para aprovar os benefícios, as medidas, mais do que passar pelo crivo político, terão de enfrentar critérios técnicos da Receita Federal.
Segundo executivos que acompanham as negociações, a Receita ainda estaria reticente quanto a integrar tablets e notebooks na mesma classificação, já que os primeiros não possuem teclados físicos. Caso o impasse persista, uma classificação própria para os tablets poderia ser defendida, apesar de que a alternativa não incluiria reduções em impostos como o PIS, Cofins e ICMS.
Para o ministro de Comu­nicações, Paulo Bernardo, caso os incentivos em torno da tributação dos tablets se confirmem, o preço dos aparelhos deve cair em torno de 30% após a aplicação das medidas. Especialistas, porém, defendem que os valores podem baixar “naturalmente” ao longo do próximo ano, como ocorreu com outros produtos eletrônicos que chegaram ao mercado brasileiro com preços salgados, a exemplo dos smartphones e netbooks.

ByConquiste Contabilidade

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